O que há @qui?

... textos da minha autoria (ou com os créditos devidos se não forem) ... imagens da internet (algumas fotos minhas) ... poesia em prosa (e prosa poética) ... links poéticos (outros não) ... as minhas músicas (também as tuas talvez) ... comentários (ou não) ... eu e o meu narcisismo... somente!

vid@




Tentaram colocar um preço na minha parca vida
Disseram-me “tudo tem um custo e a vida não é excepção”
Perguntei-me “Quanto vale a minha vida?”
Ela mesmo me diz “Tem o valor que me dás!”

Penso...



Julgo saber-te quase de cor por entre o teu corpo

Ainda tenho por descobrir algo que seja só meu

Creio que um sentimento por mim de ti imana

Igualado já pelo que a minha pele sempre clama

Não posso ter já a efémera ilusão de ser única

Temo que pelo meio de nos irmos descobrindo

Os olhos nos olhos lhes desvendem demais…

Sonh@ndo

Vagueio por campos verdes
Apercebo-me de caminhos
E imagino ...

Passeio por montanhas com neve
Vejo cabanas de madeira
E lembro ...

Após um dia de lembranças
Que não são mais que sonhos
Deito-me sozinha e sonho
... mais uma vez.

...@manhã não estou aqui!


Segue os meus passos incertos até ao além-mar
Mesmo caminhando perdida e sem direcção
Segue as minhas palavras até ao silêncio
Enquanto o ruído da vida se escoa em mim

Segura o meu rosto frio com mãos quentes
Acercando-te a pouco e pouco do meu corpo
Fecha-me os olhos marejados num beijo terno
Amando-me hoje "que amanhã não estou aqui"

Pontu@ção



Não sei onde colocar o ponto final
Pouco sei de pontuação
No início da frase, um travessão
A meio e muitas vezes,
Quando me questiono?
Quando grito exclamo!
Se tenho dúvidas ?!?
Quando me indigno!
Quando não sei o que dizer…
Quando me irrito GRITO

Tudo tão rectilíneo e definido
Mas a vida não é em linha recta
Cada vez + tem – lógica
E SEMPRE me vou perguntar: – Será?!? …

@inda


Já me senti assim um dia
Como se não houvesse amanhã
E o ontem não fosse meu

Já tive este calor infernal
Pela ânsia de me sentir viva
E nada mais houvesse

Ainda tenho chama em mim
Que arde pelo teu calor
E por um beijo cálido

Ainda acho que é possível
Amar até mais além
Mesmo que não estejas aqui

Págin@s


Hoje abri um livro de recordações

E lembrei-me de como relemos

Poesia em palavras sem rima


Hoje virei uma página garatujada

De um livro pequeno - a minha vida

E recordei como viravas cada página

Do que eu escrevia a pensar em ti

a soluç@o ... ?


A solução é arrumar os sonhos numa gaveta
Fechá-los a cadeado e esquecer-me deles
Naquele recanto que só eu conheço
Entre as palavras repetidas vezes sem fim
Por entre os olhares de esperança sem idade

E porque não arranjar uma garrafa bem grande
Colocar tudo lá dentro, tapá-la com uma rolha gigante
Imagina quem encontrasse aquela garrafa cheia de nada
Retirava a rolha e tu sumias como se nunca tivesses existido...

C@nsei...

Cansei de fechar os olhos ao que é podre

E então respirar fundo contar até 100 e recomeçar

Cansei de ver o mundo cor-de-rosa

Mesmo sabendo que ele é essencialmente cinzento

Cansei de achar que não mereço mais que isto

E ter a certeza que as forças para lutar já me faltam

Cansei de desistir e estou prestes a desistir de estar cansada

Aqui e @gora


Aqui e agora… sentimento cru e esvaziado dele mesmo

Porque nada prende um ao outro

A não ser o mútuo esquecimento.

Faculdade de lembrar por um momento ténue

O que nunca fora vivido

Revela então imaginação bastante

E revive-se a todo o instante sonhos inventados

Nos delírios nocturnos dos suores frios

De variados pesadelos recorrentes iguais

Fica então tanto por dizer

Por nada conseguir repousar

Em simples palavras

Tudo seria tão bem mais simples

Sem esta malfadada humana pseudo-inteligência

Corrosiva por ela mesma de um sentimento

Fortemente mesclado de amor e ódio

Será dentro de cada um enfim

Um mero negócio que tentamos fechar com o nosso eu

É um optar livremente (pensamos nós)

Entre o que se quer sentir por não poder pronunciar

E o dizer velando não magoar ao redor

Com a certeza quasi mortal que ao invés assim não seria

Poeir@

Energias sobre-humanas
Fasquias demasiado altas
Olhares de esguelha em redor
Um sacudir de poeira dos ombros

(Chamem-lhe poeira
Eu chamo-lhe outra coisa
Qualquer outra coisa
Que me faça cair no esquecimento)

M@ré



E hoje é todo o teu EU e a Lua
E amanhã serás apenas tu e as Ondas

Lua porque teimas em te esconderes
Sem ti o Mar não saberá onde ir

E hoje sou todo o meu EU e o Mar
E amanhã serei apenas eu e uma Maré

Ondas irão vós teimar em deslizar
Seguindo sem condição a Maré?

Hoje... mais algumas p@lavras ...

... só mesmo palavras! - um blog de p@lavras minhas onde vislumbrei uma résta de luz e julguei ter encontrado aquela que iluminaria o caminho por mais de um século.

"Tudo é eterno enquanto dura..."

... hoje vou-me deixar escorregar na minha eternidade com as palavras de Mário de Sá Carneiro:

"Além-Tédio"

Nada me expira já, nada me vive ---
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.

Como eu quisera, enfim de alma esquecida,
Dormir em paz num leito de hospital...
Cansei dentro de mim, cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.

Outrora imaginei escalar os céus
À força de ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.

Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu... Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!

Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.

E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes, mais esguios...




Mário de Sá-Carneiro








FIM

Sombr@?

O que faço com isto que sinto?
Onde derramo estas lágrimas?
Por quem choro eu?

Tenho a sensação de já te ter tocado
Em alguém que por mim passou

Tenho em mim memória do teu cheiro
Na almofada já fria a meu lado

Estendo a mão sabendo que não estás aqui
Serás mais que uma sombra... ?

Nos br@ços de Neptuno


Vou caminhando por um areal imenso
Imersa em pensamentos difusos

De corpo abraçado avanço contra o vento
Paro porque o cabelo me tapa o horizonte

Sinto uma vontade imensa de abraçar o sal do ar
E isso dá-me alento para continuar

Viro em direcção à encosta rochosa
Quando as ondas mansas se aproximam

Viro direita ao azul intenso do mar
Quando a imensidão do penedo me assusta

Avanço com uma mão cheia de certezas
Próprias de quem tudo sabe e nada pergunta

Que a praia não acabará antes das minhas forças
Que as pernas não falharão antes do fim da praia

O frio corta as faces a cada momento mais gélidas
Balançando com o calor do sol nas minhas costas

O ponto de não retorno está próximo
Oscilando entre as rochas e as ondas a praia estreita

O nó na garganta aperta e a cada momento
A decisão de avançar ou recuar se impôe

Olhando para trás vejo a roupa caída
Em cada peça um pouco do meu cheiro

Quando já só resto eu com pouco de mim
Inalo o ar salgado e mergulho no azul

Ouço ao longe uma voz que conheço como minha
Que segreda aos ouvidos de Neptuno
“Deixa-me encostar-me a ti, voltei para ficar…”

Manhã chuvos@

Nesta manhã chuvosa ao olhar-me ao espelho
Não me revi nele nem sequer depois nos teus olhos.
Ao olhar de relance para o lado negro de mim mesma
Vi uma sombra que me fugia por entre chuva incessante
Que procurava alguém que julgava conhecer outrora.
Assim, deixando de seguir quem julguei algum dia ver
Por entre o olhar indiferente de quem já não reconheço
Perco-me dentro de mim numa imensa solidão.

Um sonho


Sentir numa voz vibrações positivas
Idealizar um retrato a preto e branco
Guardar na memória o que não se vê

Sentir o toque mesmo antes de tocar,
Acolher uma imensidão de sensações
Uma de cada vez. Saboreadas devagar.
Esconder o rubor teimoso de olhos fechados
Reviver o sonho de uma cabana e imaginar…

Estrel@s


Estrelas brilhando constantes na noite
Num firmamento distante que não é o meu
O meu céu tem nuvens pairando como abutres
Talvez aprenda a voar e a espantar as aves

Estrelas solitárias num tom luminoso
Num longo sonho que não é o meu
O meu sono tem pesadelos curtos e certos
Talvez consiga serenar um dia sem pensar

Estrelas juntas apartadas por anos-luz
Num azul celestial que não alcanço
A minha cor é escuro noite cerrada
Talvez um dia os meus olhos vejam além

Estrelas reluzentes num espaço longínquo
Brilhando na noite tal como eu o não faço
O meu tom é preto matizado de cinzento
Talvez o meu fado seja juntar-me a elas
Talvez já...
Talvez!

Di@s e noites


Tenho dias em que a noite me sabe a pouco e tudo me soa falso

Tenho noites em que a escuridão se alonga pelo dia inteiro

Tenho dias em que acho que a cor da minha alma é o arco-íris

Tenho noites em que sinto em mim uma total ausência de cor

Tenho dias em que todas as minhas noites neles se confundem

Tenho noites sem dormir em que 7 dias inertes não me bastariam

Tenho em mim uma noite escura cheia de dias com cores luminosas

Um@ vida é pouco

Escreverei um livro
Mesmo daqueles pequenos
Sem muito que ler
Talvez uma linha ou duas
Em cada página

Direi mais tarde
Não faltou quase nada
Plantei uma árvore
Tive um filho
Escrevi um livro

Passo pela vida depressa
Sem tempo para mais
Quero experimentar tudo
Mas uma vida é pouco

O dia deveria ter 48 horas
Mas já não seria o nosso dia

Talvez o de um outro mundo
Talvez lá se viva mais devagar
Ou mais intensamente
Ou talvez não

Talvez eu queira tudo já
Ou melhor ainda
Ou talvez não

A certeza que me assiste
É esperar pelos sonhos
Virarem realidade
Até lá... acho que uma vida é pouco