O que há @qui?

... textos da minha autoria (ou com os créditos devidos se não forem) ... imagens da internet (algumas fotos minhas) ... poesia em prosa (e prosa poética) ... links poéticos (outros não) ... as minhas músicas (também as tuas talvez) ... comentários (ou não) ... eu e o meu narcisismo... somente!

@sas negras

As asas que agora aqui estendo
E cobrem o que quero proteger
São hoje negras como a noite
Descobrem-me e rasgam o céu
Como se me quisessem ver nua
 
Tenho ilusão de asas com uma intensa vida própria
Cobertas de penas brancas tão vivamente macias
Como as garras pretas afiladas dos meus pesadelos

Sonhando deixo de viver para que me vejam como eu sou
Vivendo deixo de sonhar que sou como me julgam ver

@lexis

mur@lha


Estridentes ruídos
Silenciosamente sós

Sinónimo de solidão perdida
Escolhida
Vivida

Tolhida por ela estou eu
Sem saber para onde me virar
Quando tudo à minha volta cai

Construo mais muralhas
Que as que posso escalar

Tenho mais mágoas
Que as que quero ter

Sinto mais sentimentos
Que seria humano sentir

Vibrações de movimentos coloridos
Sem razão de aparentar algo mais


 
... e quase tudo se desvanece numa noite de paixão

fr@quezas


Fraqueza efémera dos dias vindouros

Traz-me a paz das noites sem sonhos


Soubera eu que fechando o coração

Sofredora por ninguém jamais seria

Nem lágrimas por mim choraria



Esperança vã de não voltar a penar

Por outra alma tão perdida quanto a minha

Fraqueza de me sentir assim tão só

Ou vontade de salvar outro além de mim?

ilus@o

Fraquezas de muito pensar
Que por nós a chuva cessará
E o sol brilhará para sempre
Ilusão de marcar a diferença

E se assim fosse na verdade?
Sorrisos e o sol a brilhar
Lágrimas e a chuva a cair
Tristeza e as folhas a tombar

Mágoa e um frio intenso
Sentimentos em linha contínua
Ao longo das estações
Com a natureza a meu lado

Terei eu a coragem de notar
Que o tempo mudou?

@niversário

"Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, Não há nada mais simples. Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meus."

Fernando Pessoa/Alberto Caeiro
Poemas Inconjuntos

div@gação

Confundir-me em emoções plenas
Água escorrendo pelo meu rosto
Disfarçadas de simples gotas de chuva

Observar o céu salpicado de algodão
Ver as nuvens tomando formas distintas
Julgando adivinhar-me em cada uma

Perder-me num horizonte mais além
Distante de todos para poder sofrer só
Perto da água para afogar as mágoas

Pensar-me quase divina em carne frágil
Sentimentos perdidos em algum lago
Sem barco para salvar os melhores

Fuga inconsciente e eterna da vida
Será a certeza que me acompanhará
Ao longo dos incontáveis anos que faltam

f@la-me de @mor


Nessa imensidão de nada
Sinto-te longe
De tão perto estares
Nesta plenitude de pouco
Sinto-te perto
De tão longe te julgares

Deixa-me falar-te de Amor...

esquecid@


Esquecida que estou entre as brumas e o nevoeiro desta noite que cai em mim

Vivi dias a dois tempos longos e curtos por ti em ti em mim e contigo fiquei sem mim

Vou-me ficando deixar encolhida e pequena neste meu imenso canto vazio e incerto

Agora permaneço só eu aqui sem ti tentando a cada dia ver onde fiquei eu pelo caminho


@1026@



A minha imensa dor permanece ainda hoje
Em duras palavras escritas por alguém a lápis
Em paixão desenhada a dois com uma pena

Amanhã e nos dias que porventura se sigam
Será o que pelo fado esteja escrito nas estrelas
Sem rasuras nem cortes e o fado não usa borracha

p@rar o tempo

Se eu pudesse parar o tempo…

Parava naquele momento em que beijei pela primeira vez e ainda em todas as primeiras vezes

Parava naquele instante preciso em que conheci os dedos mínimos e roxos da minha filha

Parava um segundo, que podia ter durado até hoje, antes de saber que fiquei sem Mãe

Parava no momento exacto em que vi naquele dia tão longe aquela gota de chuva cair no mar

Parava um minuto antes de morrer só para reviver todos os momentos em que parei no tempo

s@bores

Namoro-te o corpo em surdina por entre olhares em chama

Sabes-me a mar revolto em dias violentos de tempestade


Acaricio-te as costas com pensamentos intensamente quentes

Sabes-me a noite de mil estrelas num mar chão de quietude


Beijo-te com fúria enquanto a noite cai aqui violentamente

Sabes-me então a chocolate quente com travo a canela

resistênci@

Solidão acompanhada nestes meus dias longos de hoje

Dá-me a resistência duradoura das tuas lágrimas sofridas

Verdade inconsistente das minhas memórias do teu corpo

Deixa-me sonhar em teu leito no odor acre deste nosso sexo

Dor doce de mágoas incontidas em palavras ainda não ditas

Vem comigo até que esta vida tristemente fria e cinza se acabe

sem rim@

Hoje iniciei um poema vezes sem conta

Ensaiei rimas e estrofes em busca de ti

Poderias estar aqui ao alcance do meu braço

No entanto estás tão longe como o horizonte

cham@


A chama que arde ainda em mim

Tem contornos ténues de desejo

Não queima por já não te tocar

Nem me atinge por aqui não estares



Na ilusão de te querer sentir perto

Sinto-te esfumar como lenha ardida

Reacendo a lareira quando te pressinto

Perco-me na ânsia imensa de te rever



Caminho cegamente em linha recta

Como muitos dos meus pensamentos

Desviei-me em alguma curva da vida

Para te poder sentir, ainda que de leve.

err@do

Hoje acordei do lado errado da vida

Digo as palavras erradas

E sinto que nada as concerta

Amei os homens errados

E eu sei que não sou A certa

Faço tudo do modo errado

E nada do que sinto o acerta

Tenho os olhares errados

Em direcção às pessoas certas

Mas não tem jeito… não acerto!

lembr@nça



Ouvi em tempos o fado cantado de boca em boca
Que me avisava que o meu Fado não eras tu

Lembro ainda as promessas vãs de noites intensas
Feitas em surdina em cada pormenor, gesto, olhar

Recordo vagamente ainda querer em ti acreditar
E nas mentiras que me oferecias como verdades

Acordei então para esta realidade crua, fria e magoada
De já nada querer lembrar, nem sequer do que senti!

@deus

de ti só me resta
o que agora permanece aqui comigo,
num cantinho só meu,
a lembrança dolorida do fim
e a sombra de tudo o que já fomos 
um dia...

dor


A dor que me acompanha hoje

É a mesma que trago de ontem

A mágoa que ainda sinto agora

Será talvez a mesma amanhã

Embalando-me para lá do nunca

Adormecendo-me para sempre



A lonjura da imensidão de estar perto

É ferida que dói aqui a céu aberto

Motivo porque entre os lençóis choro

Neste sentimento da ausência de ti

cl@mor

Conta-me uma mentira que seja breve

Diz-me o que sentes e calas em ti

Faz-me acreditar que até vale a pena

Sente a minha pele que por ti chama

Faz-me vibrar com um leve sussurro

Mesmo que seja para me dizer adeus

Ou um até breve que já se adivinhava

inst@nte



Canta-me uma longa música que seja só nossa
Mesmo que todos os outros também a saibam

Sussurra-me devagar roucamente e bem baixinho
O que faríamos os dois na loucura deste instante

Diz-me olhando-me de frente bem nos meus olhos
Que a melodia que nos embala é apenas esta música

Convence-te do que os teus olhos me não dizem!

cheiro de ti

Ainda que nada o faça prever

Sem ter razão sequer de o ser

Mesmo que nem eu o saiba enfim

Tudo o que de mim emana agora

Cheira à minha imensa falta de ti



Tenho vontade de seguir até ao fim

Com tudo ou nada de razão talvez

Quero que voltes desse sono sem mim

Mesmo que doa horrores na pele

Até que o sofrimento nos seja quase doce

solid@o

Sem nada com direito a tudo

Sem mágoa por nem isso sentir

Pergunto ao céu porquê

Nem um sinal nem réstea de nada

Para me fazer ainda assim crer

Que há uma razão para tudo



Sem o tempo certo de sentir

Acabo por não saber o que fazer

Do imenso mar de tudo o que já tive

Nem do parco papel que tenho aqui

Só tenho direito a solidão…

mei@s palavras

As meias palavras que trocamos

São as que nos matam e sufocam

Até já sermos só metade de nós


Os meios sentimentos que temos

São os que nos reduzem e apagam

Já nem sabemos onde cada um começa


As meias verdades que vivemos

São as que nos tragam de dor pela mentira

E nos fazem sofrer por serem apenas metade


Tudo isto já nós vivemos vezes sem fim

Apenas dói mais porque agora sara devagar

Como uma queimadura intensa sob a pele

um nad@

Ascensão
DALI

Perco-me em igrejas de ninguém

Mãos erguidas cheias de nada

Olhos secos de lágrimas sofridas.

Nesta madrugada em que adentro

Em mais uma das muitas noites sem ti

Sinto levemente o teu cheiro em mim

E respiro enfim!

vid@




Tentaram colocar um preço na minha parca vida
Disseram-me “tudo tem um custo e a vida não é excepção”
Perguntei-me “Quanto vale a minha vida?”
Ela mesmo me diz “Tem o valor que me dás!”

Penso...



Julgo saber-te quase de cor por entre o teu corpo

Ainda tenho por descobrir algo que seja só meu

Creio que um sentimento por mim de ti imana

Igualado já pelo que a minha pele sempre clama

Não posso ter já a efémera ilusão de ser única

Temo que pelo meio de nos irmos descobrindo

Os olhos nos olhos lhes desvendem demais…

Sonh@ndo

Vagueio por campos verdes
Apercebo-me de caminhos
E imagino ...

Passeio por montanhas com neve
Vejo cabanas de madeira
E lembro ...

Após um dia de lembranças
Que não são mais que sonhos
Deito-me sozinha e sonho
... mais uma vez.

...@manhã não estou aqui!


Segue os meus passos incertos até ao além-mar
Mesmo caminhando perdida e sem direcção
Segue as minhas palavras até ao silêncio
Enquanto o ruído da vida se escoa em mim

Segura o meu rosto frio com mãos quentes
Acercando-te a pouco e pouco do meu corpo
Fecha-me os olhos marejados num beijo terno
Amando-me hoje "que amanhã não estou aqui"

Pontu@ção



Não sei onde colocar o ponto final
Pouco sei de pontuação
No início da frase, um travessão
A meio e muitas vezes,
Quando me questiono?
Quando grito exclamo!
Se tenho dúvidas ?!?
Quando me indigno!
Quando não sei o que dizer…
Quando me irrito GRITO

Tudo tão rectilíneo e definido
Mas a vida não é em linha recta
Cada vez + tem – lógica
E SEMPRE me vou perguntar: – Será?!? …

@inda


Já me senti assim um dia
Como se não houvesse amanhã
E o ontem não fosse meu

Já tive este calor infernal
Pela ânsia de me sentir viva
E nada mais houvesse

Ainda tenho chama em mim
Que arde pelo teu calor
E por um beijo cálido

Ainda acho que é possível
Amar até mais além
Mesmo que não estejas aqui

Págin@s


Hoje abri um livro de recordações

E lembrei-me de como relemos

Poesia em palavras sem rima


Hoje virei uma página garatujada

De um livro pequeno - a minha vida

E recordei como viravas cada página

Do que eu escrevia a pensar em ti

a soluç@o ... ?


A solução é arrumar os sonhos numa gaveta
Fechá-los a cadeado e esquecer-me deles
Naquele recanto que só eu conheço
Entre as palavras repetidas vezes sem fim
Por entre os olhares de esperança sem idade

E porque não arranjar uma garrafa bem grande
Colocar tudo lá dentro, tapá-la com uma rolha gigante
Imagina quem encontrasse aquela garrafa cheia de nada
Retirava a rolha e tu sumias como se nunca tivesses existido...

C@nsei...

Cansei de fechar os olhos ao que é podre

E então respirar fundo contar até 100 e recomeçar

Cansei de ver o mundo cor-de-rosa

Mesmo sabendo que ele é essencialmente cinzento

Cansei de achar que não mereço mais que isto

E ter a certeza que as forças para lutar já me faltam

Cansei de desistir e estou prestes a desistir de estar cansada

Aqui e @gora


Aqui e agora… sentimento cru e esvaziado dele mesmo

Porque nada prende um ao outro

A não ser o mútuo esquecimento.

Faculdade de lembrar por um momento ténue

O que nunca fora vivido

Revela então imaginação bastante

E revive-se a todo o instante sonhos inventados

Nos delírios nocturnos dos suores frios

De variados pesadelos recorrentes iguais

Fica então tanto por dizer

Por nada conseguir repousar

Em simples palavras

Tudo seria tão bem mais simples

Sem esta malfadada humana pseudo-inteligência

Corrosiva por ela mesma de um sentimento

Fortemente mesclado de amor e ódio

Será dentro de cada um enfim

Um mero negócio que tentamos fechar com o nosso eu

É um optar livremente (pensamos nós)

Entre o que se quer sentir por não poder pronunciar

E o dizer velando não magoar ao redor

Com a certeza quasi mortal que ao invés assim não seria

Poeir@

Energias sobre-humanas
Fasquias demasiado altas
Olhares de esguelha em redor
Um sacudir de poeira dos ombros

(Chamem-lhe poeira
Eu chamo-lhe outra coisa
Qualquer outra coisa
Que me faça cair no esquecimento)

M@ré



E hoje é todo o teu EU e a Lua
E amanhã serás apenas tu e as Ondas

Lua porque teimas em te esconderes
Sem ti o Mar não saberá onde ir

E hoje sou todo o meu EU e o Mar
E amanhã serei apenas eu e uma Maré

Ondas irão vós teimar em deslizar
Seguindo sem condição a Maré?

Hoje... mais algumas p@lavras ...

... só mesmo palavras! - um blog de p@lavras minhas onde vislumbrei uma résta de luz e julguei ter encontrado aquela que iluminaria o caminho por mais de um século.

"Tudo é eterno enquanto dura..."

... hoje vou-me deixar escorregar na minha eternidade com as palavras de Mário de Sá Carneiro:

"Além-Tédio"

Nada me expira já, nada me vive ---
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.

Como eu quisera, enfim de alma esquecida,
Dormir em paz num leito de hospital...
Cansei dentro de mim, cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.

Outrora imaginei escalar os céus
À força de ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.

Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu... Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!

Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.

E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes, mais esguios...




Mário de Sá-Carneiro








FIM

Sombr@?

O que faço com isto que sinto?
Onde derramo estas lágrimas?
Por quem choro eu?

Tenho a sensação de já te ter tocado
Em alguém que por mim passou

Tenho em mim memória do teu cheiro
Na almofada já fria a meu lado

Estendo a mão sabendo que não estás aqui
Serás mais que uma sombra... ?

Nos br@ços de Neptuno


Vou caminhando por um areal imenso
Imersa em pensamentos difusos

De corpo abraçado avanço contra o vento
Paro porque o cabelo me tapa o horizonte

Sinto uma vontade imensa de abraçar o sal do ar
E isso dá-me alento para continuar

Viro em direcção à encosta rochosa
Quando as ondas mansas se aproximam

Viro direita ao azul intenso do mar
Quando a imensidão do penedo me assusta

Avanço com uma mão cheia de certezas
Próprias de quem tudo sabe e nada pergunta

Que a praia não acabará antes das minhas forças
Que as pernas não falharão antes do fim da praia

O frio corta as faces a cada momento mais gélidas
Balançando com o calor do sol nas minhas costas

O ponto de não retorno está próximo
Oscilando entre as rochas e as ondas a praia estreita

O nó na garganta aperta e a cada momento
A decisão de avançar ou recuar se impôe

Olhando para trás vejo a roupa caída
Em cada peça um pouco do meu cheiro

Quando já só resto eu com pouco de mim
Inalo o ar salgado e mergulho no azul

Ouço ao longe uma voz que conheço como minha
Que segreda aos ouvidos de Neptuno
“Deixa-me encostar-me a ti, voltei para ficar…”

Manhã chuvos@

Nesta manhã chuvosa ao olhar-me ao espelho
Não me revi nele nem sequer depois nos teus olhos.
Ao olhar de relance para o lado negro de mim mesma
Vi uma sombra que me fugia por entre chuva incessante
Que procurava alguém que julgava conhecer outrora.
Assim, deixando de seguir quem julguei algum dia ver
Por entre o olhar indiferente de quem já não reconheço
Perco-me dentro de mim numa imensa solidão.

Um sonho


Sentir numa voz vibrações positivas
Idealizar um retrato a preto e branco
Guardar na memória o que não se vê

Sentir o toque mesmo antes de tocar,
Acolher uma imensidão de sensações
Uma de cada vez. Saboreadas devagar.
Esconder o rubor teimoso de olhos fechados
Reviver o sonho de uma cabana e imaginar…

Estrel@s


Estrelas brilhando constantes na noite
Num firmamento distante que não é o meu
O meu céu tem nuvens pairando como abutres
Talvez aprenda a voar e a espantar as aves

Estrelas solitárias num tom luminoso
Num longo sonho que não é o meu
O meu sono tem pesadelos curtos e certos
Talvez consiga serenar um dia sem pensar

Estrelas juntas apartadas por anos-luz
Num azul celestial que não alcanço
A minha cor é escuro noite cerrada
Talvez um dia os meus olhos vejam além

Estrelas reluzentes num espaço longínquo
Brilhando na noite tal como eu o não faço
O meu tom é preto matizado de cinzento
Talvez o meu fado seja juntar-me a elas
Talvez já...
Talvez!

Di@s e noites


Tenho dias em que a noite me sabe a pouco e tudo me soa falso

Tenho noites em que a escuridão se alonga pelo dia inteiro

Tenho dias em que acho que a cor da minha alma é o arco-íris

Tenho noites em que sinto em mim uma total ausência de cor

Tenho dias em que todas as minhas noites neles se confundem

Tenho noites sem dormir em que 7 dias inertes não me bastariam

Tenho em mim uma noite escura cheia de dias com cores luminosas

Um@ vida é pouco

Escreverei um livro
Mesmo daqueles pequenos
Sem muito que ler
Talvez uma linha ou duas
Em cada página

Direi mais tarde
Não faltou quase nada
Plantei uma árvore
Tive um filho
Escrevi um livro

Passo pela vida depressa
Sem tempo para mais
Quero experimentar tudo
Mas uma vida é pouco

O dia deveria ter 48 horas
Mas já não seria o nosso dia

Talvez o de um outro mundo
Talvez lá se viva mais devagar
Ou mais intensamente
Ou talvez não

Talvez eu queira tudo já
Ou melhor ainda
Ou talvez não

A certeza que me assiste
É esperar pelos sonhos
Virarem realidade
Até lá... acho que uma vida é pouco

Fénix

Escrever sobre o que sinto
Colocar o que sinto em palavras
Deixam-me quiçá a vantagem
De não pensar nelas (nem em mim).
Falar abertamente não o faço!
Deixo-me escoar com as palavras
Que escrevo por não ter por que as dizer!

Sinto falta da outra parte de mim
Que se foi numa destas noites
E continua a fugir do meu outro eu.

Quando voltar a mim
Serei como a fénix
A renascer das cinzas.
Aí serei EU de novo
Com penas novas
E olhos abertos para o mundo.
Os meus hoje já me ardem
Pelas lágrimas que já nem caem.
Até elas se recusam a sair!

"Já disse que sou sozinho!"


Álvaro de Campos,
pormenor do mural de Almada Negreiros
na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1958)
 "(....)
Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou só sozinho!
Ah, que maçada querem que eu seja de companhia!
(...)"

Excerto de Lisbon Revisited
Álvaro de Campos

(Sentimento marcante do meu eu com palavras melhores que as minhas...)

Outono @margo

Folhas amarelas e velhas de plátano colam-se ao meu cabelo
Enquanto escorre um imenso rio feito de águas paradas
Pelas pedras que fazem o meu caminho nesta madrugada cinzenta.
Com um leve esgar turvo num semblante carregado
Chego a pensar ser estranho o igual que é o caminho da água
Que frondosamente cai, ao frio que se me entranha pela alma.
Vislumbro ao longe um raio de sol que se adivinha quente.
Talvez se o pudesse ainda sentir, ainda que levemente no meu rosto,
Aquecesse o quasi puro congelante de Dante que me consome
Vejo as folhas a cair lentamente e comparo-as com o Outono da vida
Que relembro e sinto-me vergada pelo peso de chumbo do passado.
A Primavera que passou não foi tão longa mas consegue antecipar a dor
Do Verão que ainda tenho encarcerado fora de tempo dentro de mim
Enquanto me arrasto pé ante pé numa morna lentidão por esta estação
Que vai, inevitavelmente, levar ao clímax de um Inverno de um grandioso inferno…

I Prémio de Poesia jorge du val

Parabéns à PROIBIDA, também vencedora com "Céus de Outono"

P@rabéns

Hoje as palavras não são minhas... mas gostamos os dois de quem as escreveu.
Beijo na hora exacta dos teus 42 anos, Poetik!

Roberto Carlos - "Um Jeito estúpido de amar"
na voz de Maria Bethânia

Preciso...


Preciso de despertar
Deste sono de anos
Infindos sem dormir

De um golpe no pulso
Para ver que o sangue
Ainda me corre nas veias

De um beijo talvez divino
Sem me sentir humana
Para evitar o sofrimento

Apenas deixar-me estar
Ser tudo e ainda nada
Não preciso de mais

Não quero!

Esta que aqui está não sou eu
Sou outra ilusão qualquer
Imagem fraca de mim mesmo
Miragem ao longe no deserto


Não quero passar sem passar
Sentir um poço no centro de mim
Cair sem saber quando ele acaba
É um pesadelo constante ser eu


Não quero acordar sem saber
Se sou o outro ou apenas eu
Vontade de me transformar
Desejo de constante evasão


Passagem de ontem para amanhã
Ponte da minha alma para o teu ser
Sou o que quiserem que seja
Menos eu mesma, não quero!

... só mesmo p@lavras

... um dos porquês das minhas serem "só mesmo palavras" é porque outras quando se juntam ganham vida própria...

Yves Montand - Les Feuilles Mortes

E ali estava eu a ler um poema
A ler e a caminhar
Enchi-me de paz e deixei de ter pressa
Parei de ler.

Continuei a andar e a pensar.

Sem pressa ... Pressa para quê? Pressa porquê?
(É que eu tenho um segredo e tenho medo que ele fuja se me apressar agora)
Tenho palavras guardadas em mim.

Nem eu as vou usar, tenho medo de as gastar!
São o meu tesouro e um tesouro não se pode desperdiçar.
Caminho lentamente e parece que cada pessoa que passa me leva uma palavrinha.
Paro.

Leio novamente as minhas palavras e a calma volta.
(Schht! Eu tenho um segredo.)
Caminho agora com a certeza que ninguém me consegue roubar as minhas palavras.
Bem, minhas, minhas, elas não são, eu não penso em francês,
Mas considero-as como tal, pois senti-as como se o fossem!

(puro devaneio depois de ler o poema:)

LES FEUILLES MORTES

Oh, je voudrais tant que tu te souviennes,
Des jours heureux quand nous étions amis,
Dans ce temps là, la vie était plus belle,
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui.
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Tu vois je n'ai pas oublié.

Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi,
Et le vent du nord les emporte,
Dans la nuit froide de l'oubli.
Tu vois, je n'ai pas oublié,
La chanson que tu me chantais...

C'est une chanson, qui nous ressemble,
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais.
Nous vivions, tous les deux ensemble,
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais.
Et la vie sépare ceux qui s'aiment,
Tout doucement, sans faire de bruit.
Et la mer efface sur le sable,
Les pas des amants désunis.
Nous vivions, tous les deux ensemble,
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais.
Et la vie sépare ceux qui s'aiment,
Tout doucement, sans faire de bruit.
Et la mer efface sur le sable,
Les pas des amants désunis...

Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi
Mais mon amour silencieux et fidèle
Sourit toujours et remercie la vie
Je t'aimais tant, tu étais si jolie,
Comment veux-tu que je t'oublie ?
En ce temps-là, la vie était plus belle
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui
Tu étais ma plus douce amie
Mais je n'ai que faire des regrets
Et la chanson que tu chantais
Toujours, toujours je l'entendrai !

Jacques Prévert

C@mpainha


Ouço os acordes da minha imaginação
Quero saber se estão sincronizados ou não

Imagino...
Uma flor
Um amor puro
Uma noite limpa de nuvens


Vejo...
Um cigarro que me diz que estou nervosa
Uma conversa que me cheira a bafio
A hipocrisia que ponho num copo de leite


E continuo a ouvir o que não quero
Uma campainha que me martela o desespero

inesperadamente ... poesi@

Museu das Aldeias - Relva


"O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
E nem ver quando se pensa."

Alberto Caeiro

@uto-estrada


Não gostaria de caminhar como numa auto-estrada
Sem as imensas curvas dos caminhos de cabras
Que beleza encontraria se a estrada fosse a direito?
Veria apenas as marcas brancas da estrada
E rails cinzentos a separar o alcatrão da relva

Gosto de sentir nos pés um caminho sinuoso
Como o que me leva até aquela ermida distante
Chego, ajoelho e rezo com palavras só minhas
Aguardo que um carreiro se desenhe na minha frente
E continuo a grande caminhada em alguma direcção

Não faria sentido ter palas nos olhos como os burros
Seria como admirar um pôr do sol de óculos escuros
Agarro as pedras e sinto-lhes o calor de um sol já ido
Olho as árvores, aperto as folhas nas mãos
Cheiro a resina que se me entranha nas narinas

Prossigo o meu caminho com a ténue certeza
De reencontrar alguém no meio de algum atalho
Deixando-o aperceber-se a pouco e pouco
Que a estrada se caminha melhor a dois
Que isto é só um desvio pelo meio de mim mesma
E que teremos sempre lugar lado a lado

EU


Eu sou de cheiros e de absorver o calor do sol…
Eu sou de suar por estar ao sol e gostar do meu cheiro

Eu sou de gente a transbordar de palavras…
Eu sou de estar com gente até quando aí me sentir só

Eu sou de olhares cheios de sentimentos…
Eu sou de olhar até não gostar do que vejo

Eu sou de cozinhar lentamente até chegar ao êxtase...
Eu sou de lume brando enquanto não queima

Eu sou de ter medo que uma vida não chegue...
Eu sou de viver mais que uma vida até que o cansaço vença

bast@

de onde me vem esta tristeza de tudo e de nada
de onde virá esta vontade de já nem querer ter
não tenho sequer já a presunção de única ser
resta-me a certeza de por breves instantes ter sido A
maldito ciúme de quem ama de novo após tantas luas
fere mais que o sentimento imberbe do lamento a solo
lá longe sem precisar de justificar bastava dizer “não quero”
hoje a idade e a dita experiência traz consigo um “porque…”
queria voltar ao imberbe e conseguir dizer apenas basta
com a segurança de parar esta vivência que me faz sofrer
em cada passo que dou em direcção a nada num caminho torto
que lavro dentro de mim a cada sono sem sonhos que tenho
nas noites cada vez mais longas que vou empurrando
e atravessando num torpor de prozac dia após dia…