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| Museu das Aldeias - Relva |
O que há @qui?
inesperadamente ... poesi@
@uto-estrada

Sem as imensas curvas dos caminhos de cabras
Que beleza encontraria se a estrada fosse a direito?
Veria apenas as marcas brancas da estrada
E rails cinzentos a separar o alcatrão da relva
Gosto de sentir nos pés um caminho sinuoso
Como o que me leva até aquela ermida distante
Chego, ajoelho e rezo com palavras só minhas
Aguardo que um carreiro se desenhe na minha frente
E continuo a grande caminhada em alguma direcção
Não faria sentido ter palas nos olhos como os burros
Seria como admirar um pôr do sol de óculos escuros
Agarro as pedras e sinto-lhes o calor de um sol já ido
Olho as árvores, aperto as folhas nas mãos
Cheiro a resina que se me entranha nas narinas
Prossigo o meu caminho com a ténue certeza
De reencontrar alguém no meio de algum atalho
Deixando-o aperceber-se a pouco e pouco
Que a estrada se caminha melhor a dois
Que isto é só um desvio pelo meio de mim mesma
E que teremos sempre lugar lado a lado
EU

Eu sou de gente a transbordar de palavras…
Eu sou de olhares cheios de sentimentos…
Eu sou de cozinhar lentamente até chegar ao êxtase...
Eu sou de lume brando enquanto não queima
Eu sou de ter medo que uma vida não chegue...
Eu sou de viver mais que uma vida até que o cansaço vença
bast@
de onde me vem esta tristeza de tudo e de nadade onde virá esta vontade de já nem querer ter
não tenho sequer já a presunção de única ser
resta-me a certeza de por breves instantes ter sido A
maldito ciúme de quem ama de novo após tantas luas
fere mais que o sentimento imberbe do lamento a solo
lá longe sem precisar de justificar bastava dizer “não quero”
hoje a idade e a dita experiência traz consigo um “porque…”
queria voltar ao imberbe e conseguir dizer apenas basta
com a segurança de parar esta vivência que me faz sofrer
em cada passo que dou em direcção a nada num caminho torto
que lavro dentro de mim a cada sono sem sonhos que tenho
nas noites cada vez mais longas que vou empurrando
e atravessando num torpor de prozac dia após dia…
Enqu@nto

Penso em ti
Vou erguendo uma prece
Para te ter junto a mim
Penso que tudo o que sinto
Ficará para sempre assim
Eu querendo-te muito
E tu não me querendo tanto
Enquanto espero pelo luar
Penso em ti
No meio dos lençóis frios
Aguardo-te com a ânsia
Própria de quem ama
Julgo que tudo será sonho
Quando finalmente te beijar
Eu amando-te muito
E tu não me amando tanto assim
Chuv@ e lágrimas
“És a minha chuva
“Desfaz-te em mil e uma gotas
"E se algum dia duvidares
M@is um sonho

Sonhei que era a pedra da calçada
Que todos pisavam a sorrir
Sonhei que era a fonte
De que todos bebiam e agradeciam
Sonhei que era o pão
Que todos comiam e abençoavam
Sonhei que era o lençol
Onde te deitavas, amavas e adormecias
Acordei com um sobressalto e olhei pela janela
As pedras estavam sujas
Todos passavam por elas sem olhar para elas
A fonte estava seca
Todos praguejavam, como se a culpa fosse dela
O pão largado em cima da mesa era côdea bolorenta
Esquecida por todos havia dias
Os lençóis estavam frios
Tu não estavas ...
Qu@ndo a chuva passar...
"... A nossa história não termina agora
E essa tempestade
Um dia vai acabar...
Quando a chuva passar
Quando o tempo abrir
Abra a janela
E veja: Eu sou o Sol... "
Tormento
O tempo atormenta-me Enfeitiç@da

Pensa em mim
Quando beberes água da fonte
Acredita que é a minha boca
Quando vires as folhas a cair
Sonha comigo
Quando notares umas mãos nas tuas
Imagina que são as minhas
Quando sentires o sol na tua cara
Lembra-te de mim
Quando a paixão te consumir
Inventa que me tocas
Se o feitiço não pegar
Não terá a mesma força
Daquele que me lançaste
Março/2001
Entre ... t@nto
H@bito

Passei como todos os dias passo
À tua porta
Olhei como todos os dias olho
Para a tua janela
Já era habitual ver-te olhar para todos
Mas não para mim
Não julgava merecer
Naquele dia os olhares encontraram-se
Enquanto chovia eu tremia
E parei, quebrando o hábito
Baixaste o olhar como eu temia
E eu segui como sempre
Sem olhar para trás
Ode a um des@parecido
Vaguearei por aquela loja imensaE comprarei um CD só para mim
Mesmo que seja um repetido
Beberei um café naquela mesa
Onde corei com um sussurro
Lembrar-me-ei de ti quando for à Foz
E sentar-me-ei no mesmo local
Onde senti as tuas mãos
Recordar-te-ei vendo o sol de outono
Junto a uma qualquer praia
Passearei pela margem da Ria
E perguntarei aos pescadores
Se têm alguma memória de nós
Saborearei um vinho especial
In that old crummy hotel
Sentar-me-ei naquele tronco seco
No meio daquele areal imenso
Fecharei os olhos contra o sol
Quase ouvindo a tua voz
Descrevendo-me no meio de Sintra
Passearei só pelo meio de ruínas
Tocando em cada uma das pedras
Imaginando uma estória
Palmilharei o descampado
Quase vislumbrando Avalon
Deitar-me-ei imaginando
Que afinal tudo foi um sonho
Sonhado de olhos abertos
Resistindo à tentação de os abrir
Pois é chegada a hora de acordar
Relógio
No relógio da minha existência
Passo pelo ponteiro das horas
Em momentos certos e mágicos
Quem passa pelo relógio
Que julgo vagamente ser eu
Segue depressa demais
Sem olhar a quem adianta
Talvez o ponteiro dos segundos
Trespassando os números
Fazendo constantes tangentes
Na vida assim como na morte
Seria talvez bom poder
Girar os meus ponteiros
Sempre no sentido certo
Num ritmo próprio de mim
Parar em minutos preciosos
Saltar segundos amargos
Impedir o toque da hora
Fingir que ela não passa
Parar o tempo ali mesmo
Naquele minuto de silêncio
Em que tudo se diz sem falar
Numa cúmplice troca de olhares
Acelerar o seu compasso
Quando o leito vazio chama
Supor uma noite numa hora
Na ilusão de tudo transformar
Julgar tudo um sonho cruel
Quando ao despertar
Tudo permanece igual
Até as horas no relógio...
Outubro/2000
Sonh@r

Reinvento o teu sonho dentro de mim
Ao adormecer encostada ao teu corpo quente
Confundo o teu calor com o meu
No rumo que traçamos lado a lado
Descobrimos o nosso sonho a cada passo
Poem@ em A menor
Des@bafo (Poetik)
Porque te amo não sei
Nem sei se amor é assim
Isso que trago no peito
Que só sinto pra mim
Porque é que eu fico chorando?
Se te amo e sou feliz
Se tantas vezes teu corpo
É todo o sonho que eu quis
Porque é que às vezes eu fujo
Com você mesmo aqui
E fico longe sofrendo
Sabendo que já parti…
Você é meu branco da lua
Minha luz minha agonia
Você pra mim é loucura
Tantas vezes minha alegria
Não sei bem porque fico
Não sei bem porque vou
Às vezes fico sentido
Que você me sobrou…
Você é mais um dilema
Que sempre me aconteceu
Mas sempre acabo te amando
Se todo eu sou seu
Mais uma vez, sem me cansar de o dizer, amo-te apenas por dois motivos: por tudo e por nada! Obrigado @mor!
Des@bafo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
O homem da minha vida fez, uma vez mais, uma letra fantástica. Desta vez, como oferta para colocar no meu blogue.
Original
B@lança

E sempre que fecho os olhos lembro-me
Por isso vou ficando por aqui
Todos os meus sonhos te vêem
E mesmo acordada sonho contigo
Por isso continuo sonhando
Tudo o que eu algum dia pensei ter
Julguei ter encontrado em ti
Por isso sigo pensando que tenho
Toda a minha razão me diz que não
Todo o meu coração me diz que sim
Por isso decido continuar
Todas estas palavras ecoam em mim
E ferem-me como punhais
Não sei que sentido lhes dar
Não vejo para onde pende agora a balança
Se para a razão que vê o meu reflexo no espelho
Se para o coração que adivinha o teu perfil
Sem rumo m@rcado

Pela estrada que todos atravessamos
Caminhemos lado a lado
Com as certezas ténues que nos assolam
Andemos pela vida
Como zombies sem destino
Voemos em liberdade
Durante as longas horas de sono
Atravessemos a vida
Olhando de lado para tudo e todos
Acreditemos que além de nós
Existe um outro que não nos vê
Sonhemos com aquele dia
Em que tudo nos parecerá irreal
Como se tivéssemos chegado agora
Como se os olhos vissem agora mais claramente
Como se os sentidos se apurassem
Quem sabe?
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