Ainda tenho chama em mim
O que há @qui?
@inda
Ainda tenho chama em mim
Págin@s
Hoje abri um livro de recordações
E lembrei-me de como relemos
Poesia em palavras sem rima
Hoje virei uma página garatujada
De um livro pequeno - a minha vida
E recordei como viravas cada página
Do que eu escrevia a pensar em ti
a soluç@o ... ?
A solução é arrumar os sonhos numa gaveta
Fechá-los a cadeado e esquecer-me deles
Naquele recanto que só eu conheço
Entre as palavras repetidas vezes sem fim
Por entre os olhares de esperança sem idade
E porque não arranjar uma garrafa bem grande
Colocar tudo lá dentro, tapá-la com uma rolha gigante
Imagina quem encontrasse aquela garrafa cheia de nada
Retirava a rolha e tu sumias como se nunca tivesses existido...
C@nsei...
E então respirar fundo contar até 100 e recomeçar
Cansei de ver o mundo cor-de-rosa
Mesmo sabendo que ele é essencialmente cinzento
Cansei de achar que não mereço mais que isto
E ter a certeza que as forças para lutar já me faltam
Cansei de desistir e estou prestes a desistir de estar cansada
Aqui e @gora
Aqui e agora… sentimento cru e esvaziado dele mesmo
Porque nada prende um ao outro
A não ser o mútuo esquecimento.
Faculdade de lembrar por um momento ténue
O que nunca fora vivido
Revela então imaginação bastante
E revive-se a todo o instante sonhos inventados
Nos delírios nocturnos dos suores frios
De variados pesadelos recorrentes iguais
Fica então tanto por dizer
Por nada conseguir repousar
Em simples palavras
Tudo seria tão bem mais simples
Sem esta malfadada humana pseudo-inteligência
Corrosiva por ela mesma de um sentimento
Fortemente mesclado de amor e ódio
Será dentro de cada um enfim
Um mero negócio que tentamos fechar com o nosso eu
É um optar livremente (pensamos nós)
Entre o que se quer sentir por não poder pronunciar
E o dizer velando não magoar ao redor
Com a certeza quasi mortal que ao invés assim não seria
Poeir@
Fasquias demasiado altas
Olhares de esguelha em redor
Um sacudir de poeira dos ombros
(Chamem-lhe poeira
Eu chamo-lhe outra coisa
Qualquer outra coisa
Que me faça cair no esquecimento)
M@ré
E hoje é todo o teu EU e a Lua
E amanhã serás apenas tu e as Ondas
Lua porque teimas em te esconderes
Sem ti o Mar não saberá onde ir
E hoje sou todo o meu EU e o Mar
E amanhã serei apenas eu e uma Maré
Ondas irão vós teimar em deslizar
Seguindo sem condição a Maré?
Hoje... mais algumas p@lavras ...
"Tudo é eterno enquanto dura..."
... hoje vou-me deixar escorregar na minha eternidade com as palavras de Mário de Sá Carneiro:
"Além-Tédio"
Sombr@?
Onde derramo estas lágrimas?
Por quem choro eu?
Tenho a sensação de já te ter tocado
Em alguém que por mim passou
Tenho em mim memória do teu cheiro
Na almofada já fria a meu lado
Estendo a mão sabendo que não estás aqui
Serás mais que uma sombra... ?
Nos br@ços de Neptuno
Viro em direcção à encosta rochosa
Manhã chuvos@
Não me revi nele nem sequer depois nos teus olhos.
Ao olhar de relance para o lado negro de mim mesma
Vi uma sombra que me fugia por entre chuva incessante
Que procurava alguém que julgava conhecer outrora.
Assim, deixando de seguir quem julguei algum dia ver
Por entre o olhar indiferente de quem já não reconheço
Perco-me dentro de mim numa imensa solidão.
Um sonho
Sentir numa voz vibrações positivas
Idealizar um retrato a preto e branco
Guardar na memória o que não se vê
Sentir o toque mesmo antes de tocar,
Acolher uma imensidão de sensações
Uma de cada vez. Saboreadas devagar.
Esconder o rubor teimoso de olhos fechados
Reviver o sonho de uma cabana e imaginar…
Estrel@s
Num firmamento distante que não é o meu
O meu céu tem nuvens pairando como abutres
Talvez aprenda a voar e a espantar as aves
Estrelas solitárias num tom luminoso
Num longo sonho que não é o meu
O meu sono tem pesadelos curtos e certos
Talvez consiga serenar um dia sem pensar
Estrelas juntas apartadas por anos-luz
Num azul celestial que não alcanço
A minha cor é escuro noite cerrada
Talvez um dia os meus olhos vejam além
Estrelas reluzentes num espaço longínquo
Brilhando na noite tal como eu o não faço
O meu tom é preto matizado de cinzento
Talvez o meu fado seja juntar-me a elas
Talvez já...
Talvez!
Di@s e noites
Um@ vida é pouco
Mesmo daqueles pequenos
Sem muito que ler
Talvez uma linha ou duas
Em cada página
Direi mais tarde
Não faltou quase nada
Plantei uma árvore
Tive um filho
Escrevi um livro
Passo pela vida depressa
Sem tempo para mais
Quero experimentar tudo
Mas uma vida é pouco
O dia deveria ter 48 horas
Mas já não seria o nosso dia
Talvez o de um outro mundo
Talvez lá se viva mais devagar
Ou mais intensamente
Ou talvez não
Talvez eu queira tudo já
Ou melhor ainda
Ou talvez não
A certeza que me assiste
É esperar pelos sonhos
Virarem realidade
Até lá... acho que uma vida é pouco
Fénix
Colocar o que sinto em palavras
Deixam-me quiçá a vantagem
De não pensar nelas (nem em mim).
Falar abertamente não o faço!
Deixo-me escoar com as palavras
Que escrevo por não ter por que as dizer!
Sinto falta da outra parte de mim
Que se foi numa destas noites
E continua a fugir do meu outro eu.
Quando voltar a mim
Serei como a fénix
A renascer das cinzas.
Aí serei EU de novo
Com penas novas
E olhos abertos para o mundo.
Os meus hoje já me ardem
Pelas lágrimas que já nem caem.
Até elas se recusam a sair!
"Já disse que sou sozinho!"
![]() |
| Álvaro de Campos, pormenor do mural de Almada Negreiros na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1958) |
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou só sozinho!
Ah, que maçada querem que eu seja de companhia!
(...)"
Excerto de Lisbon Revisited
Álvaro de Campos
(Sentimento marcante do meu eu com palavras melhores que as minhas...)
Outono @margo
Enquanto escorre um imenso rio feito de águas paradas
Pelas pedras que fazem o meu caminho nesta madrugada cinzenta.
Com um leve esgar turvo num semblante carregado
Chego a pensar ser estranho o igual que é o caminho da água
Que frondosamente cai, ao frio que se me entranha pela alma.
Vislumbro ao longe um raio de sol que se adivinha quente.
Talvez se o pudesse ainda sentir, ainda que levemente no meu rosto,
Aquecesse o quasi puro congelante de Dante que me consome
Vejo as folhas a cair lentamente e comparo-as com o Outono da vida
Que relembro e sinto-me vergada pelo peso de chumbo do passado.
A Primavera que passou não foi tão longa mas consegue antecipar a dor
Do Verão que ainda tenho encarcerado fora de tempo dentro de mim
Enquanto me arrasto pé ante pé numa morna lentidão por esta estação
Que vai, inevitavelmente, levar ao clímax de um Inverno de um grandioso inferno…
I Prémio de Poesia jorge du val
Parabéns à PROIBIDA, também vencedora com "Céus de Outono"
Preciso...
Não quero!
Sou outra ilusão qualquer
Imagem fraca de mim mesmo
Miragem ao longe no deserto
Não quero passar sem passar
Sentir um poço no centro de mim
Cair sem saber quando ele acaba
É um pesadelo constante ser eu
Não quero acordar sem saber
Se sou o outro ou apenas eu
Vontade de me transformar
Desejo de constante evasão
Passagem de ontem para amanhã
Ponte da minha alma para o teu ser
Sou o que quiserem que seja
Menos eu mesma, não quero!
... só mesmo p@lavras
E ali estava eu a ler um poema
A ler e a caminhar
Enchi-me de paz e deixei de ter pressa
Parei de ler.
Continuei a andar e a pensar.
Sem pressa ... Pressa para quê? Pressa porquê?
(É que eu tenho um segredo e tenho medo que ele fuja se me apressar agora)
Tenho palavras guardadas em mim.
Nem eu as vou usar, tenho medo de as gastar!
São o meu tesouro e um tesouro não se pode desperdiçar.
Caminho lentamente e parece que cada pessoa que passa me leva uma palavrinha.
Paro.
Leio novamente as minhas palavras e a calma volta.
(Schht! Eu tenho um segredo.)
Caminho agora com a certeza que ninguém me consegue roubar as minhas palavras.
Bem, minhas, minhas, elas não são, eu não penso em francês,
Mas considero-as como tal, pois senti-as como se o fossem!
Jacques Prévert
C@mpainha
Ouço os acordes da minha imaginação
Quero saber se estão sincronizados ou não
Imagino...
Uma flor
Um amor puro
Uma noite limpa de nuvens
Vejo...
Um cigarro que me diz que estou nervosa
Uma conversa que me cheira a bafio
A hipocrisia que ponho num copo de leite
E continuo a ouvir o que não quero
Uma campainha que me martela o desespero
inesperadamente ... poesi@
@uto-estrada

Sem as imensas curvas dos caminhos de cabras
Que beleza encontraria se a estrada fosse a direito?
Veria apenas as marcas brancas da estrada
E rails cinzentos a separar o alcatrão da relva
Gosto de sentir nos pés um caminho sinuoso
Como o que me leva até aquela ermida distante
Chego, ajoelho e rezo com palavras só minhas
Aguardo que um carreiro se desenhe na minha frente
E continuo a grande caminhada em alguma direcção
Não faria sentido ter palas nos olhos como os burros
Seria como admirar um pôr do sol de óculos escuros
Agarro as pedras e sinto-lhes o calor de um sol já ido
Olho as árvores, aperto as folhas nas mãos
Cheiro a resina que se me entranha nas narinas
Prossigo o meu caminho com a ténue certeza
De reencontrar alguém no meio de algum atalho
Deixando-o aperceber-se a pouco e pouco
Que a estrada se caminha melhor a dois
Que isto é só um desvio pelo meio de mim mesma
E que teremos sempre lugar lado a lado
EU

Eu sou de gente a transbordar de palavras…
Eu sou de olhares cheios de sentimentos…
Eu sou de cozinhar lentamente até chegar ao êxtase...
Eu sou de lume brando enquanto não queima
Eu sou de ter medo que uma vida não chegue...
Eu sou de viver mais que uma vida até que o cansaço vença
bast@
de onde me vem esta tristeza de tudo e de nadade onde virá esta vontade de já nem querer ter
não tenho sequer já a presunção de única ser
resta-me a certeza de por breves instantes ter sido A
maldito ciúme de quem ama de novo após tantas luas
fere mais que o sentimento imberbe do lamento a solo
lá longe sem precisar de justificar bastava dizer “não quero”
hoje a idade e a dita experiência traz consigo um “porque…”
queria voltar ao imberbe e conseguir dizer apenas basta
com a segurança de parar esta vivência que me faz sofrer
em cada passo que dou em direcção a nada num caminho torto
que lavro dentro de mim a cada sono sem sonhos que tenho
nas noites cada vez mais longas que vou empurrando
e atravessando num torpor de prozac dia após dia…
Enqu@nto

Penso em ti
Vou erguendo uma prece
Para te ter junto a mim
Penso que tudo o que sinto
Ficará para sempre assim
Eu querendo-te muito
E tu não me querendo tanto
Enquanto espero pelo luar
Penso em ti
No meio dos lençóis frios
Aguardo-te com a ânsia
Própria de quem ama
Julgo que tudo será sonho
Quando finalmente te beijar
Eu amando-te muito
E tu não me amando tanto assim
Chuv@ e lágrimas
“És a minha chuva
“Desfaz-te em mil e uma gotas
"E se algum dia duvidares
M@is um sonho

Sonhei que era a pedra da calçada
Que todos pisavam a sorrir
Sonhei que era a fonte
De que todos bebiam e agradeciam
Sonhei que era o pão
Que todos comiam e abençoavam
Sonhei que era o lençol
Onde te deitavas, amavas e adormecias
Acordei com um sobressalto e olhei pela janela
As pedras estavam sujas
Todos passavam por elas sem olhar para elas
A fonte estava seca
Todos praguejavam, como se a culpa fosse dela
O pão largado em cima da mesa era côdea bolorenta
Esquecida por todos havia dias
Os lençóis estavam frios
Tu não estavas ...
Qu@ndo a chuva passar...
"... A nossa história não termina agora
E essa tempestade
Um dia vai acabar...
Quando a chuva passar
Quando o tempo abrir
Abra a janela
E veja: Eu sou o Sol... "
Tormento
O tempo atormenta-me Enfeitiç@da

Pensa em mim
Quando beberes água da fonte
Acredita que é a minha boca
Quando vires as folhas a cair
Sonha comigo
Quando notares umas mãos nas tuas
Imagina que são as minhas
Quando sentires o sol na tua cara
Lembra-te de mim
Quando a paixão te consumir
Inventa que me tocas
Se o feitiço não pegar
Não terá a mesma força
Daquele que me lançaste
Março/2001
Entre ... t@nto
H@bito

Passei como todos os dias passo
À tua porta
Olhei como todos os dias olho
Para a tua janela
Já era habitual ver-te olhar para todos
Mas não para mim
Não julgava merecer
Naquele dia os olhares encontraram-se
Enquanto chovia eu tremia
E parei, quebrando o hábito
Baixaste o olhar como eu temia
E eu segui como sempre
Sem olhar para trás
Ode a um des@parecido
Vaguearei por aquela loja imensaE comprarei um CD só para mim
Mesmo que seja um repetido
Beberei um café naquela mesa
Onde corei com um sussurro
Lembrar-me-ei de ti quando for à Foz
E sentar-me-ei no mesmo local
Onde senti as tuas mãos
Recordar-te-ei vendo o sol de outono
Junto a uma qualquer praia
Passearei pela margem da Ria
E perguntarei aos pescadores
Se têm alguma memória de nós
Saborearei um vinho especial
In that old crummy hotel
Sentar-me-ei naquele tronco seco
No meio daquele areal imenso
Fecharei os olhos contra o sol
Quase ouvindo a tua voz
Descrevendo-me no meio de Sintra
Passearei só pelo meio de ruínas
Tocando em cada uma das pedras
Imaginando uma estória
Palmilharei o descampado
Quase vislumbrando Avalon
Deitar-me-ei imaginando
Que afinal tudo foi um sonho
Sonhado de olhos abertos
Resistindo à tentação de os abrir
Pois é chegada a hora de acordar
Relógio
No relógio da minha existência
Passo pelo ponteiro das horas
Em momentos certos e mágicos
Quem passa pelo relógio
Que julgo vagamente ser eu
Segue depressa demais
Sem olhar a quem adianta
Talvez o ponteiro dos segundos
Trespassando os números
Fazendo constantes tangentes
Na vida assim como na morte
Seria talvez bom poder
Girar os meus ponteiros
Sempre no sentido certo
Num ritmo próprio de mim
Parar em minutos preciosos
Saltar segundos amargos
Impedir o toque da hora
Fingir que ela não passa
Parar o tempo ali mesmo
Naquele minuto de silêncio
Em que tudo se diz sem falar
Numa cúmplice troca de olhares
Acelerar o seu compasso
Quando o leito vazio chama
Supor uma noite numa hora
Na ilusão de tudo transformar
Julgar tudo um sonho cruel
Quando ao despertar
Tudo permanece igual
Até as horas no relógio...
Outubro/2000
Sonh@r

Reinvento o teu sonho dentro de mim
Ao adormecer encostada ao teu corpo quente
Confundo o teu calor com o meu
No rumo que traçamos lado a lado
Descobrimos o nosso sonho a cada passo
Poem@ em A menor
Des@bafo (Poetik)
Porque te amo não sei
Nem sei se amor é assim
Isso que trago no peito
Que só sinto pra mim
Porque é que eu fico chorando?
Se te amo e sou feliz
Se tantas vezes teu corpo
É todo o sonho que eu quis
Porque é que às vezes eu fujo
Com você mesmo aqui
E fico longe sofrendo
Sabendo que já parti…
Você é meu branco da lua
Minha luz minha agonia
Você pra mim é loucura
Tantas vezes minha alegria
Não sei bem porque fico
Não sei bem porque vou
Às vezes fico sentido
Que você me sobrou…
Você é mais um dilema
Que sempre me aconteceu
Mas sempre acabo te amando
Se todo eu sou seu
Mais uma vez, sem me cansar de o dizer, amo-te apenas por dois motivos: por tudo e por nada! Obrigado @mor!
Des@bafo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
O homem da minha vida fez, uma vez mais, uma letra fantástica. Desta vez, como oferta para colocar no meu blogue.
Original
B@lança

E sempre que fecho os olhos lembro-me
Por isso vou ficando por aqui
Todos os meus sonhos te vêem
E mesmo acordada sonho contigo
Por isso continuo sonhando
Tudo o que eu algum dia pensei ter
Julguei ter encontrado em ti
Por isso sigo pensando que tenho
Toda a minha razão me diz que não
Todo o meu coração me diz que sim
Por isso decido continuar
Todas estas palavras ecoam em mim
E ferem-me como punhais
Não sei que sentido lhes dar
Não vejo para onde pende agora a balança
Se para a razão que vê o meu reflexo no espelho
Se para o coração que adivinha o teu perfil
Sem rumo m@rcado

Pela estrada que todos atravessamos
Caminhemos lado a lado
Com as certezas ténues que nos assolam
Andemos pela vida
Como zombies sem destino
Voemos em liberdade
Durante as longas horas de sono
Atravessemos a vida
Olhando de lado para tudo e todos
Acreditemos que além de nós
Existe um outro que não nos vê
Sonhemos com aquele dia
Em que tudo nos parecerá irreal
Como se tivéssemos chegado agora
Como se os olhos vissem agora mais claramente
Como se os sentidos se apurassem
Quem sabe?
Cub@ libre

Uma esguia mão namorando o copo
Cigarros consumidos em fila
Da boca saindo novelos de fumo
Música vibrantemente quente
Corpo balançando ao ritmo latino
A música crescente no tom
Os corpos girando até ao balcão
Olhos semicerrados e olhares furtivos
Conseguindo impedir as palavras
Enquanto a salsa avança na noite
Adivinhando outros ritmos...
Poetik@mente
Sente a minha pele pedindo a tua
Mesmo por entre a roupa
Fecha os olhos
Cheira o meu querer-te tanto
Mesmo que eu não esteja
Abre a boca
Saboreia e beija-me
Mesmo que me não vejas
Com o sabor acre do teu corpo
Amo-te muito para além de mim
@limento

E resta-me a imensidão do teu terno toque em mim
O meu fado é o meu desejo de ti que não tem fim
Medo tenho de as não perceber mesmo que as digas
Mata a tua sede em mim em cada beijo meu
P@lavras
Escondid@
F@do
temos vozes largadas jeitos entorpecidos
tudo se torna mais fado
Mur@da
Ser m@e
Ser mãe.. Qu@tro Sentidos
Cheira Chegou a primavera
Sente
A cama quente
É Verão entre nós
É Outono lá fora
Será que ouves
As lágrimas que caem?
É Inverno em mim.
Luz negr@
Pó de estrel@s

De verdadeiramente bom para partilhar
Já nada quero
De ninguém para mim somente
Quero apenas
O que a vida ainda tiver para me dar
Enquanto sinto
O fardo de tempos idos carregado nos ombros
Entre o muro da morte e a certeza da pouca vida
Que resta ao comum mortal que sempre serei
Há um caminho a percorrer
Curto e rectilíneo estando de mão dada com a vida
Longo e sinuoso que vai do berço até à urna
Pelo meio haverá um instante
Em que o amor já não chega
No entretanto haverá um momento
Em que tudo o que se diga é pouco
Quando esse dia chegar já não quero estar nem ser
Quero ir e desvanecer-me entre o pó das estrelas
Que me trouxeram e me vão finalmente levar
Nesse expirar longo e cortante
Deixarei sair finalmente tudo o que não disse
Em gotículas de vapor
Transformadas em lágrimas feitas estrelas cadentes





















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